quinta-feira, 16 de outubro de 2008

“....O amor é um domingo.Cansado - cansado das falsidades, cansado das máscaras, cansado de mostrar faces feias e não verdadeiras às pessoas, e continuamente reprimindo seu ser - a pessoa quer alguém com quem possa ser ela mesma totalmente - relaxada, à vontade, tranqüila. Assim, se você ama uma pessoa, desde o início, nunca seja não verdadeiro. Se o amor desaparecer, é melhor que o relacionamento seja quebrado. Ele tem que ser quebrado - porque não há qualquer sentido em tal relacionamento. Se a sua verdade for aceita, se você for aceito, somente então este é um amor que vale a pena. Então você cresce através dele. ... Em um simples momento, a pessoa pode mudar completamente. Ela estava muito alegre e pode se tornar muito triste. Exatamente um momento antes ela estava pronta para morrer e no momento seguinte ela está pronta para matá-lo. Mas a humanidade é assim. Isso traz uma profundidade, traz surpresas e um tempero... Caso contrário, a vida seria muito entediante. Tudo isso é belo. Tudo isso são notas de uma grande harmonia. E quando você ama uma pessoa, você ama essa harmonia e aceita tudo que compõe essa harmonia. Algumas vezes está chovendo, outras vezes o céu está escuro e cheio de nuvens, e outras vezes as nuvens desaparecem e ele fica repleto da luz solar. Algumas vezes é muito frio e outras vezes é muito quente. E exatamente desse mesmo jeito, o clima humano vai mudando, todas as coisas vão mudando. Quando você ama uma pessoa, você ama todas essas possibilidades. Infinitas são as possibilidades e você ama todos os matizes e tons. Assim, seja verdadeiro e ajude-a a ser verdadeira. Então o amor se torna um crescimento. Caso contrário. O amor pode se tornar uma coisa muito venenosa. Pelo menos, não corrompa o amor. E lembre-se, ele não é corrompido pelo ódio. Ele é corrompido pela falsidade. Ele não é corrompido pela raiva, nunca. Mas ele é destruído por uma pessoa não autêntica, por uma falsa face. O amor somente é possível quando existe a liberdade de você ser você mesmo, sem qualquer vigilância, sem qualquer restrição. Você simplesmente está fluindo. O que você pode fazer? Quando você está rancoroso, você está rancoroso. Quando as nuvens estão no céu e o sol está brilhando, o que você pode fazer? E se a outra pessoa compreende e ama você, ela aceitará, ela o ajudará a sair das nuvens - porque ela sabe que isto é apenas um clima que vai e vem - estes são apenas humores, são fases passageiras, e por trás dessas fases passageiras está a realidade, o espírito da pessoa, a alma. Quando você aceita todas essas fases, logo os vislumbres da alma verdadeira começam a acontecer para você. Continue meditando e faça de seu amor uma meditação também”. OSHO - A Rose is a Rose is a Rose

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Resposta ao Tempo

Nana Caymmi



"Batidas na porta da frente,
É o tempo.
Eu bebo um pouquinho
Pra ter argumento.
Mas fico sem jeito,
Calado, ele ri.
Ele zomba
Do quanto eu chorei
Porque sabe passar
E eu não sei

Num dia azul de verão
Sinto o vento.
Há folhas no meu coração,
É o tempo.
Recordo um amor que perdi,
Ele ri.
Diz que somos iguais,
Se eu notei,
Pois não sabe ficar
E eu também não sei.
E gira em volta de mim,
Sussurra que apaga os caminhos,
Que amores terminam no escuro,
Sozinhos.

Respondo que ele aprisiona,
Eu liberto.
Que ele adormece as paixões,
Eu desperto.
E o tempo se rói
Com inveja de mim,
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Pra tentar reviver.

No fundo é uma eterna criança
Que não soube amadurecer.
Eu posso, ele não vai poder
Me esquecer."

domingo, 12 de outubro de 2008

Desabafo


“Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade... Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali”.
Clarice Lispector


Após um período de recesso de quatro anos, surgiu para mim uma experiência sentimental nada comum. Me encantei por um homem complicado, inconstante, irritante, contraditório, que distorce tudo o que digo e que é cheio de atitudes brutas. Aí você me pergunta: o que você viu nele, então? Muitas coisas.
Eu vi um homem que gosta tanto de viver a liberdade que se esquece que não está só no mundo, que tudo está conectado e que uma simples escolha individual interfere no todo.
Eu vi um homem que corre muito numa tentativa de voar, por que não agüenta caminhar por muito tempo em uma terra na qual todos o julgam, pela incompetência de não enxergá-lo como ele realmente é. É na velocidade, correndo e não andando por essa terra, que ele encontra outros que compartilham das mesmas sensações, mesmas idéias, e consegue criar algum laço. Vez ou outra ele encontra alguém que não o julgue, enquanto caminha. Mas é raro.
Eu vi um homem que, apesar da aparência bruta (lembro que no início, ainda quando trabalhava na mesma empresa que ele ainda trabalha, eu me intimidava com sua presença, tanto que muitas vezes nem conseguia falar “boa tarde”, só balançava a cabeça...rsrsrs), possui uma ternura que nunca vi em ninguém antes, escondida por debaixo de músculos e de uma cara séria, mas que está lá e que você só consegue perceber quando olha bem no fundo dos seus olhos, em um momento de distração.
Eu vi um homem de mil frases, capaz de aplicar uma em qualquer situação de maneira sábia, ou de se enrolar todo com elas, tentando explicar ou justificar algo.
Eu vi um homem de mil máscaras, capaz de mentir e fingir com maestria e de, por outro lado, ser tão sincero que chega a cortar o vento.
Eu vi um homem que discute filosofia – existencialismo alemão – pra valer, mas quando questionado sobre a bagunça em seu quarto, parece um menino tentando se explicar.
Eu vi um homem que se entrega e que, no instante seguinte, quase se arrepende de tê-lo feito.
Eu vi tantas coisas neste homem...A questão é se esse homem que eu vi realmente existe ou se é uma grande mentira. Sei que tudo isso que vi é concreto, real. Mas, não sei se o homem que me passou tudo isso é real ou é um personagem criado por ele mesmo. Em outras palavras, será que lidei com uma máscara ou com o homem, o tempo todo? Já não sei dizer.
Em dois anos muitas coisas mudam e outras permanecem inalteradas. Um dia eu vi este homem com respeito, carinho, admiração e confiança. Hoje, meu coração bate cansado. E cansada me sinto.
Tenho medo porque sinto que coisas se quebram dentro de mim. E, sinceramente, não sei quais serão as conseqüências para mim mesma. Mas, talvez, seja exatamente isso que deva acontecer. Preciso me quebrar por dentro, renascer. O tempo é amigo das grandes causas e minha grande causa, neste momento, é curar meu coração cansado.
O primeiro passo talvez seja este. Escrever para aliviar a alma. Desabafar homeopaticamente, à medida em que meus sentimentos se tornam compreensíveis por mim mesma. :)